Data da Notícia: 
21/04/2014 - 16:30

A segunda edição dos Encontros na Ria, no passado dia 16 de Abril, teve como tema principal a estratégia de inovação da União Europeia e mais concretamente o papel das tecnologias de informação e comunicação no novo quadro de financiamento europeu à investigação e à inovação, denominado Horizonte 2020.

Mário Campolargo é uma das personalidades portuguesas na União Europeia mais respeitada e reconhecidamente um dos players mais importantes na estratégia europeia de investigação e desenvolvimento no âmbito da arquitetura da internet do futuro e do cloud computing. Atualmente Diretor da “Net Futures” da DG CONNECT, possui um conjunto de responsabilidades na definição das prioridades estratégicas europeias nesta área, que o setor das tecnologias de informação, comunicação e eletrónica (TICE) nacional não pode deixar de acompanhar e participar ativamente. Esta personalidade deixou importantes perspetivas sobre a intervenção transversal do setor das TICE nas várias áreas do programa de financiamento europeu entre 2014 e 2020 que estão no âmbito do apoio à excelência na ciência europeia, à liderança industrial europeia e aos desafios societais. Relativamente a estes temas, o que despoletou mais interesse na assistência, formada maioritariamente por PMEs, foram os relacionados com a estratégia europeia para alcançar a liderança industrial em áreas muito concretas do sector das TICE. Mais concretamente a grande iniciativa europeia nas infraestruturas de rede e computação denominadas por 5G-PPP (5G Public-Private Partnership) que começou em 2014 e que em conjunto com as principais grandes empresas e grandes institutos de investigação europeus irá estimular o desenvolvimento da infraestrutura da internet do futuro e assegurar a criação de novos e avançados serviços para todos os setores e utilizadores. Esta iniciativa 5G-PPP está desenhada para ser possível criar soluções, arquiteturas, tecnologias e santandarts para a nova geração de comunicações na próxima década. Apesar de ter sido planeada com as grandes empresas, é considerado estratégico e desejável a participação ativa e o financiamento às PMEs europeias. Neste domínio da denominada “Future Internet” são cerca de 400 milhões de euros só para os primeiros 2 anos. Mário Campolargo aproveitou para deixar importantes mensagens para o posicionamento que as empresas portuguesas deveriam escolher e privilegiar, sobretudo devido à elevada competitividade dos projetos europeus onde é determinante demonstrar seriedade, competência e sobretudo estratégia de longo prazo que permita obter dos outros parceiros europeus a consideração como um parceiro válido para investimento conjunto num determinado projeto ou desenvolvimento estratégico. Aconselhou que se aproveitasse as experiências comprovadas de algumas pessoas e empresas portuguesas e desaconselhou vivamente iniciativas individualistas das empresas face a outras empresas vizinhas do cluster da Inova-Ria, dado que, está demonstrado que a lógica colaborativa entre empresas é um fator positivo determinante em muito aspetos para a União Europeia. Esta edição contou ainda com a Filipa Duarte que representou a estrutura governamental de apoio à participação no Horizonte 2020, o GPPQ- Gabinete de Promoção do Programa Quadro, onde apresentou dados da participação portuguesa no anterior Programa Quadro, o FP7, que contou com uma evolução muito positiva nos últimos anos, mas reconhecidamente insuficiente para as expetativas nacionais. Na realidade Portugal, como membro contribuinte para este anterior programa não conseguiu alavancar projetos em número suficiente que significassem um valor superior ao montante investido pelo país. Existe a expetativa que no Horizonte 2020 seja bastante diferente e a assistência pareceu estar comprometida para contribuir para esse grande desafio nos próximos anos. Esta edição dos Encontros na Ria contou ainda com o Luís Miguel da PT Inovação e Sistemas, onde apresentou cerca de 30 anos de experiência de participação, com a PT Inovação, em programas de investigação europeus e deu a sua visão das características que devem ser acauteladas pelas PMEs da Inova-Ria no Horizonte 2020 e as grandes vantagens dos programas europeus face aos programas nacionais de apoio à Inovação. Apresentou ainda a aposta da PT Inovação e Sistemas na Inovação Exploratória e na Inovação Planeada, onde são investidos, na primeira, cerca de 7%, e na segunda, cerca de 30%, dos resultados operacionais da empresa. No final do encontro as pessoas presentes tiveram oportunidade de interagir com os oradores convidados permitindo desta forma que na Rede da Inova-Ria se possa criar verdadeiros esforços colaborativos para a região e para o país. O próximo “Encontros na Ria” terá como tema “Coimbra” e contará com a presença do Instituto Pedro Nunes (IPN) e do CEC (Conselho Empresarial do Centro). Inscreva-se em www.inova-ria.pt.