Data da Notícia: 
05/05/2017 - 16:15

 

Bons sócios fazem boas empresas

Durante a última década, fruto da crise bancária, a banca fechou-se e, em particular, fechou-se muito para as empresas mais inovadoras, com modelos de negócios emergentes e, consequentemente, com maior risco. Sem recurso a capitais alheios, o financiamento das empresas através de capitais próprios aumentou consideravelmente. Em Portugal existem várias dezenas de fundos regulados e várias centenas de investidores com vontade e disponibilidade para aportar capital a este tipo de empresas.

Acresce ainda a facilidade que hoje existe em levantar capital junto de fundos e empresas estrangeiras, criando a percepção de que tudo é possível. Tem sido assim nos últimos anos e ainda bem! Porém, observando com atenção as empresas que se financiam junto de “boas” Private Equities e Capitais de Risco, estas parecem ter mais sucesso que as outras. Tem sido fácil e comum atribuir este sucesso ao lobby, networking e outras facilidades que estas empresas passam a deter após incorporar alguns “interesses” nos seus “boards”. Porém, em bom rigor, julgo que apenas isso não basta. Só isso não explica tanto sucesso.

Ao longo da minha atividade enquanto consultor de corporate finance sempre percebi que o maior benefício de uma operação de levantamento de capital próprio era a enorme melhoria da gestão. Com efeito, o reporte, a transparência e a monitorização pelos novos acionistas, tem o claro benefício de se exigir estratégias, métricas e responsabilidade. Nem sempre os promotores compreendem esta valia na sua integralidade sendo, muitas vezes, secundarizada e outras tantas indesejada. Todavia, a experiência diz-nos que a grande transformação, aquando da entrada de investidores exigentes, passa-se ao nível da cultura empresarial.

Maximizar o valor para o acionista traz terminantemente qualidade e resultados económicos. Nisso os manuais de gestão estão certos!

Bons sócios fazem, mesmo, boas empresas.

Rui Trindade

Partner
Taminno International Ventures

Sobre Rui Trindade

Licenciado em Economia na Universidade Católica Portuguesa.Executive Partner da Taminno Internacional Ventures, empresa que trabalha na área da consultoria, financiamento e investimentos em projetos empresariais.
Nascido no Porto, Portugal, iniciou a sua trajetória profissional na Agência Portuguesa para o Investimento – API, especializando-se na área de captação de investimento direto estrangeiro e fomento de grandes investimentos, em Portugal.
Transferiu-se, posteriormente, para a AICEP, onde trabalhou na internacionalização de empresas portuguesas da área de Tecnologia da Informação.
Posteriormente foi Assessor do Secretário de Estado da Economia Adjunto e do Desenvolvimento Regional (XIX Governo Constitucional).
Foi fundador de várias empresas em áreas tão diferentes como Software, Consultoria, Inovação, Design de bicicletas e Organização de Eventos.