Quando falamos em dotar um computador de inteligência, alguns provavelmente se recordarão do computador inteligente HAL 9000, o vilão do filme - 2001: Uma odisseia no espaço. Esta obra-prima realizada por Stanley Kubrick e Arthur C. Clarke em 1968, retratou de uma forma visionária a ameaça existente na criação de máquinas inteligentes.
Quarenta e dois anos passados, temos vindo a assistir à evolução dos sistemas de informação baseados essencialmente na Internet. A primeira vaga, a Web 1.0, foi caracterizada pela interligação e disponibilização de informação; a Web 2.0 traz o conceito de redes sociais, interligação de pessoas, colaboração e interfaces de apresentação mais “ricos”...Neste momento preparamo-nos para uma nova vaga - a Web 3.0 - a Web semântica.
A alavanca para a Era 3.0 é a tecnologia semântica, a capacidade de representar um determinado contexto ou conhecimento de uma forma digital, interpretável e acessível por pessoas e máquinas. A tecnologia semântica irá englobar um conjunto vasto de representação de conhecimento e capacidade de inferência, incluíndo detecção de padrões, linguística, inferência baseada em ontologias e modelos, analogia e inferência com incertezas, conflitos, causalidade e valores.
A Era 3.0 possibilita, neste ambiente semanticamente rico (Web 3.0), a integração rica de dados, serviços e aplicações. Pessoas e aplicações estarão ligadas por uma “nuvem” de conhecimento, em tempo-real, recorrendo a técnicas automatizadas e semi-automatizadas. O conhecimento modelado é semanticamente interpretável e executável por máquinas e permite-nos relacionar informação sobre conceitos (ex. pessoas, eventos, localizações, tempo) existentes em fontes de dados e processos aplicacionais. Ao invés de existirem dados e aplicações díspares e não contextualizadas, teremos um conjunto de dados relacionados, contextualizados e aplicações interoperáveis.
As potencialidades que as tecnologias semânticas geram são enormes, assim como os desafios que estas trazem. Estas tecnologias têm o potencial para gerar melhoramentos de uma forma transversal à organização, reduzindo custos, aumentando a eficiência e a criação de novas funcionalidades que não existiam ou que não eram viáveis economicamente.
Opiniões transmitidas por analistas da Gartner e Forrester, caracterizam as ontologias como a principal actividade de modelação de conhecimento que terá um impacto profundo na grande maioria das aplicações empresariais e integração de conhecimento nos próximos anos. As técnicas e ferramentas associadas às ontologias providenciam a semântica suficiente para suportar a gestão de processos de negócio tal como a integração de aplicações dinâmicas ao nível empresarial. Baseado nesta tendência, consideramos que existirá, no futuro de médio e longo prazo, uma grande apetência no mercado para adopção de sistemas de 3ª geração (Web 3.0).
O futuro é definitivamente 3.0!
Miguel Grade |