Rui Paiva (WeDo): Portugueses estão muito acima da média no mundo como executantes
2010.5.14
Rui Paiva - Presidente-executivo da WeDo Technologies

ELEITO o Melhor Líder nas Novas Tecnologia; no Best Leader Awards 2010, o CEO da WeDo, Rui Paiva, fala da actual situação do país e das empresas nacionais e dos passos necessários para alcançar a liderança.

Esteve sempre ligado ao sector das telecomunicações e tecnologias. Quais são as especificidades da liderança nestas áreas?

O relacionamento parece-me um pouco menos formal e a gestão um pouco mais globalizada, e os colaboradores têm tipicamente um nível educacional acima da média. Em todo o caso, acredito que hoje em dia a liderança em qualquer área e sector implica uma vertente internacional e global muito grande.

Gostava de tentar liderar noutras áreas? Quais?

Vemos a liderança como o resultado do nosso trabalho e estratégia. A minha é conseguir poder liderar algo cada vez mais global (seja geograficamente, seja diferentes sectores de actividade). Hoje somos líderes globais na área de Revenue Assurance. Estamos a trabalhar para atingir a liderança em Business Assurance, obviamente nas Telecomunicações, mas mais recentemente nos sectores do Retalho, da Energia e Financeiro, isto sempre a nível mundial.

Pode apontar um momento de sucesso na sua carreira e um de insucesso, bem como o que aprendeu neste caso?

Os nossos clientes e potenciais clientes são quem nos dá maiores alegrias e tristezas. A criação da WeDo Technologies é um sucesso memorável que devemos ao nosso accionista e cliente Sonaecom. O primeiro cliente estrangeiro, a Oi Brasil, igualmente. Já contamos com mais de 100 clientes espalhados por mais de 70 países. Dada a natureza do negócio, por cada sucesso alcançado temos outros insucessos para relatar, felizmente de muito pouca expressividade. Gostava muito que fossemos ainda maiores do que somos ao fim de nove anos.

Como se define enquanto líder?

Não sou seguramente a melhor pessoa para me definir. Sou uma pessoal normal, que gosta muito do que faz. Gosto de trabalhar em equipa, gosto de mobilizar e conseguir poder inspirar quem me rodeia. Adoro aprender. A decidir sou muito prático e não gosto nada, mesmo nada de adiar... o que não se decidir hoje, já não tem sentido/oportunidade amanhã.

Nestes sectores, a criatividade e a inovação são muito importantes. É fácil estimular as suas equipas e levá-las a superarem-se?

É importante, mas fácil quando podemos rodear-nos das pessoas certas... as melhores em cada dia, que querem aprender na continuidade.

Qual a fórmula mais eficaz?

Cada colaborador da WeDo tem como missão satisfazer os clientes e divertir-se, de forma rentável, para si, para a empresa e seus stakeholders.

Considera que Portugal tem bons ou maus líderes?

Portugal e os portugueses estão muito acima da média no mundo como executantes. Precisamos, sim, de mais organização, criticar menos, fazer mais, decidindo.

Cada vez mais temos cérebros a "fugir" do país. Como encara esta situação?

Isso é excelente. Com o país fantástico que temos, rapidamente regressarão mais organizados, mais ambiciosos e melhor preparados... e entretanto espalharão a boa imagem de Portugal pelo mundo. Veja o caso dos futebolistas que saíram e da boa imagem que deixaram e estão a deixar de Portugal... é excelente!

É mais fácil ou mais difícil liderar nesta conjuntura económica, política e internacional?

A conjuntura começa a parecer estrutural. Portugal e o mundo ocidental vão ter de ajustar as suas expectativas de crescimento. São períodos em que é importante apostar nos valores e na identidade.

Introduziu alterações para ajustar a sua liderança a esta conjuntura? Se sim, quais?

Estar ainda mais próximo dos clientes, dos colaboradores e dos parceiros e também viajar ainda mais para estar próximo de todos.

 

PERFIL

É um apreciador de artes - gosta de ler e ouvir ópera , mas é no mundo dos números e das tecnologias da informação que tem feito carreira. Licenciado em Matemáticas Aplicadas pela Universidade Nova de Lisboa, Rui Paiva passou pela PT, Telecel/Vodafane e Hewlett Packard até chegar ao "universo" Sonae em 1998, passando depois para a WeDo, onde é CEO desde 2001. Apaixonado pelo ténis e pela velocidade dos karts, exerce ainda os cargos de CEO da Bizdirect e de administrador da MainRoad, ambas da Sonaecom.

WeDo, a empresa que faz... tecnologia líder

«PME inovadora, ambiciosa e com uma estrutura leve e sem vícios, características definidas pelo carácter inovador dos seus fundadores» e «detentora de grandes contratos nomeadamente no Brasil com a Telemar - Oi Celular, com a Telefónica na América Central, e com a Amena em Espanha». É assim que o júri do Best Leader Awards, iniciativa promovida pelo SOL e pela consultora Leadership Business Consulting, avalia a WeDo Technologies, conduzida por Rui Paiva.

Líder mundial no fornecimento de soluções de Garantia de Negócio (Revenue e Business Assurance) para a indústria das telecomunicações - mas disponibilizando também software para a área financeira, de utilities, transportes, saúde e Indústria de retalho , a empresa, fundada em 2001, resulta de um spin-off da Optimus Consulting e está hoje em 67 países. Com escritórios em 12, é do estrangeiro que chegam quase 60% das encomendas. Fora de Portugal, a tecnológica facturou em quase 24,4 milhões de euros, mais 5% do que em 2008, num total de 43 milhões de receitas.

Já o EBITDA cresceu 7%, para os 4,46 milhões de euros, graças ao controlo de custos e à melhoria da produtividade.

Hoje com 319 colaboradores, de 17 nacionalidades diferentes, depois de ter aberto no ano passado delegações no México, Polónia, EUA e Brasil, em 2010 o objectivo é ter presença no Chile, Panamá e Singapura. A internacionalização e o desenvolvimento de novas ideias para produtos e serviços - gestão de receitas, relacionamento com clientes e parceiros, gestão de fraude , sobretudo fora do grupo Sonae, serão os grandes desafios no futuro da WeDo.

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